5.2.08

Cabeça de rádio

Nem eu mesmo acredito que estou atualizando isso aqui. Invariavelmente, falarei de música. Da minha música. E foi ela que me fez, numa madrugada de carnaval, parar para escrever. Dentro do arco-íris, a coceira atrás da orelha começou a descer pelas mãos, então não resisti. Cá estou para acabar com o jejum. Falemos de música.
Falemos, então, da melhor banda do (meu) mundo. Ela mesma, que dá o título mais óbvio de colunas e textos sobre o Radiohead. E em relação a esta banda, sempre desconfie de textos. Uma das críticas mais impressionantes que já li falava algo irritantemente verdadeiro: "é difícil separar o que se escreve e o que se ouve quando tratamos de comentar sobre o Radiohead". E é mesmo. Afinal, das últimas resenhas escritas sobre eles, quantas falavam exclusivamente de música? Pois é. Todo mundo só queria saber do álbum que se vendia sozinho, pra quem quisesse e por quanto ofertasse. Na verdade, dava pra fazer um blog só sobre essa banda, mas seria demais, até pra mim.
Eles têm uma carreira impecável. Provindos da década perdida (os sem-graça anos 90), saídos das sombras do Pink Floyd, Nirvana, Sonic Youth, Joy Division e outros não menos memoráveis. Gravaram um álbum pós-grunge, outro álbum considerado perfeitamente pop, um álbum considerado uma obra-prima do rock (emparelhado com Sgt. Pepper's e tudo mais), outro considerado uma revolução musical vinda de Marte, o outro vindo da Lua, um teoricamente contra o presidente Bush e o último radicalmente contra a indústria musical. E quem fala que rock tem que ter "atitude", deveria aprender a ler as entrelinhas e deixar a bebedeira de lado.
Fizeram a música que inspirou as raízes da teoria pedestáltica e o movimento Emocore (nada que cause orgulho...), fizeram a agonizante e linda "música da propaganda do Carlinhos", fizeram rock sem guitarra, fizeram guitarra sem rock, usaram a pedaleira sem a guitarra, fizeram da música eletrônica rock, fizeram do rock música eletrônica. Abriram caminho para Muse, Coldplay, Keane, Travis, Elbow, Doves, Badly Drawn Boy, Franz Ferdinand, Art Brut, Kasabian, Libertines, Arctic Monkeys, e tudo que for rock britânico que venha depois de 1997.
Fizeram um álbum em homenagem aos meios de transporte, um que inspirava a morte em criancinhas, outro que fez uma gravadora demitir milhares de empregados. Fizeram shows inesquecíveis (para quem foi...) em Glastonbury, Leeds, Reading, South by Southwest, Coachella. Montaram um filme com as músicas do último disco e colocaram no YouTube, integralmente. Promoveram o primeiro show deles em 2008 num canal de TV pela Internet. E ainda piadinhas num talk-show. Eles fizeram de tudo, e ainda nem apareceram no Brasil. Fato esse que tem seus dias contados, de acordo com o baterista.
Roger Daltrey, vocalista do The Who, recentemente fez uma observação resoluta, definitiva: "The Who foi a melhor banda de Rock. Os Rolling Stones foram a melhor banda de Rock'n'Roll. Os Beatles foram a maior banda Pop. O Pink Floyd foi a melhor banda de Rock Progressivo. E o Led Zeppelin foi a melhor banda de Heavy Metal". Na minha lista, teria fácil a melhor banda de Rock Alternativo.
A melhor contribuição que uma banda pode deixar não é a carreira em si, nem suas músicas, nem suas revoluções. Muito menos seus títulos, sua conquistas ou herança musical. Sabe aqueles segundinhos em que você fecha os olhos e canta para si (
com direito a guitarra e bateria no ar) como se a música fizesse parte da trilha sonora do filme da sua vida? Espero que todos tenham uma banda que cause isso. Ou arrepios, calafrios, lágrimas, sorrisos, dancinhas. Algo que faça valer a pena.

28.9.07

Dando corda para discussão

Estava no Yassuda.org, e li um post que questionava a ausência de grandes ícones musicais no nosso tempo, nestes anos 2000. Eis meu comentário, que agora virou post. Olhem lá.

Do nosso ponto de vista, de meros mortais a procura de ídolos, talvez sim "o mundo não é mais como era antigamente", talvez sim a calda longa se aplique a indústria musical atual, e talvez sim seja o fim dos grandes e megalomaníacos ícones.


Mas talvez não seja ruim. Olhando do ponto de vista de quem fabricava nossos ídolos, digo as grandes gravadoras, hoje nós vivemos num mundo musical ameaçado, comandado por duas letras e um número: mp3.

A possibilidade de se permitir que bandas ganhem espaço por serem verdadeiramente boas, e de alastrarem por aí como virais no YouTube, fazem os bolsos das grandes gravadoras sucumbirem à voz do povo. Não se tem mais ídolos como antigamente porque não se fabricam mais ídolos como antigamente! Punk? Fabricado. Reggae? Fabricado. Emo? Fabricado (desculpem-me pelo último).

Todas as linhas da música, e do Rock pré-2001, podem ter sua essência conservada, contida em algumas bandas incontestáveis, mas para estas vertentes musicais se tornarem fenômenos culturais, elas sempre fizeram questão do empurrãozinho das grandes máquinas musicais, as gravadoras, distribuidoras e rádio difusoras.

Felizmente, hoje temos um meio musical mais democrático. Mais diversificado. Até menos mercantilizado. Bandas liberam suas músicas antes de lançarem seus álbuns, distribuem pen-drives em shows, vendem álbuns com CDs virgens juntos. É conteúdo open-source. É a liberdade musical em prol da música pela música. Mais fácil pras bandas. Mais fácil para o público.

Neste socialismo musical, melhor para nós, amantes do bom som, que, antes de tudo, temos a possibilidade de escutar o que gostamos, e não o que todo mundo gosta. Posso ser um pouco fundamentalista neste sentido, mas vivemos numa época musicalmente abençoada. E exemplos não faltam.

22.8.07

Diga-me para ir embora

Uma manhã de segunda, terça ou quarta, sonolenta e fria. Com o Sol já levantado, e as lágrimas já derramadas. Sinal de que o começo já sinaliza para o fim.
Os dois erguem-se do mar de cobertores, um para o banheiro e a outra para o cozinha. "Não acredito...", pensa ela. "Eu devia ter ficado mais. Filho da puta. Filho da puta". Enquanto o outro imagina que as coisas tinham que ser como tinham que ser. "Aconteceu, e foda-se". O remorso dele às vezes dava as caras, mas somente para manter a dignidade sobrevivendo no rapaz. E ela, a duas paredes de distância, segurava as lágrimas como quem se segura pelas mãos na beira de um penhasco. Lágrimas essas com pitadas de raiva, revolta, desorientação e suor de sexo. "E agora?", imagina ela. E ele? Ainda que sem remorso, se aprofundava nos próprios olhos frente ao espelho pensando, afinal, se havia tido amor - ó, dúvida do inferno.
E no reencontro inevitável no corredor do apartamento:

- E aí?
- ...
- Faz um favor, diz pra eu ir embora.
- E, tipo, acabou?
- Diz pra eu ir embora!!! Ou então me esmurra a cara!
- Vamo com calma, e se a gente pudesse...
- Pára de fazer pergunta!
- Quer saber! Vai se fuder! Aliás, talvez se fuder seja gentil demais! E vê se pára com essa porra de se achar!

Na noite anterior, havia cadarços desamarrados, olhos vermelhos, e outros sinais de dor. Uma confissão sincera de um lado e um sentimento sincero do outro. "A curiosidade é um fardo muito pesado". Ela tinha que saber, e ele tinha que desabafar.

Inspirado na música Do me a favour dos Arctic Monkeys

*Quem quiser a música, é só me procurar, ou procurar num eMule da vida.

1.8.07

O "não mais" e o "agora vai".

Acabou. E começou. Entre pensamentos ociosos (e preciosos), decidi parar de empurrar com a barriga para empurrar com os dedos e o ouvido. Apesar de querer negar pra mim mesmo, e pra quem lê este humilde espaço virtual, resolvi admitir: vou escrever sobre música de uma vez por todas.
É algo que me alegra, de que eu gosto, e que pouca gente pode dizer que eu não faço direito. Estou falando falando de escutar música. Quanto a escrevê-la, admito ter apenas muita pretensão e pouca técnica. Mas, felizmente, o que proponho não se tratará de técnica. E sim, de inspiração.
Ouvi falar dos MOJO Books, li alguns, e achei fantástico. Como, no mundo, nada se cria, e tudo se adapta, pretendo (de uma vez por todas) exprimir minha fascinação pela música da maneira que, pelo menos agora, me parece mais aprazível. Farei crônicas inspiradas em músicas, da mesma maneira como fazem livros inspirados em álbuns musicais.
Nada mais faço desta minha empreitada do que apenas desabafos dos meus sentimentos pela trilha sonora da minha vida.

Adeus críticas, olá crônicas.

25.6.07

Profundas e sentidas saudades

Aquela ótima sensação de poder deitar-se e não se preocupar com o dia seguinte.
Olhando para cima, tentando amenizar mentalmente o fato do chão ser de pedra e asfalto. Mexendo os dedos do pé, amargurando os sapatos no lugar da areia da praia.
Torcendo para o vento chegar um pouquinho mais para cá, e fazer com que as palmeiras se finjam coqueiros. E aquele som de palhas se batendo suavemente se torna incomodamente saudoso.
Balançando as pernas, com um esforço sofrível de tentar tornar um colchão numa rede. E lembrar daquele vai-e-vem refrescante e revigorante, tão alheio ao tic-tac do relógio.
Crendo que, em breve, poderei mais uma vez sentir todo o calor que emana da minha terra natal, e das amáveis pessoas em que nela vivem. Pessoas essas que fazem todas essas sensações se tornarem inesquecíveis.

Saudade não se mata, se alimenta.

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4.6.07

...

É tanta coisa. Eu não aguento o tudo. Retirei-me por alguns momentos. Em outros, eu voltarei. Mesmo.

3.5.07

Música: Arcade Fire e David Bowie

_____Simplesmente incrível. Esses caras do Arcade Fire são o futuro do Rock, escrevam o que eu digo. E, melhor, talvez eles apareçam por aqui esse ano (mais uma vez, já vieram em 2005, e dessa rodada eles vêem com um maravilhoso CD novo na bagagem, o Neon Bible). Mas, enfim, fique com a já clássica Wake Up, com o David Bowie dando uma pequena forcinha pra gigantesca banda:



Quem não se arrepia ouvindo/vendo isso, é porque não tem coração.

Abraços!!!

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22.4.07

Show: A primeira noite de um(s) jovem(s)

_____Acreditem nas palavras do apaixonados. Na canção dos desolados. Na energia das pessoas. Na força dos dizeres do amor. E, assim como numa primeira noite apaixonada, tudo de bom rolou. Um toma-lá-dá-cá de sentimentos entre músicas e aplausos.
_____A baixa expectativa pairava. Uma banda com três integrantes (bateria, piano e voz). Nunca havia pisado no Brasil. Platéia meio vazia. Até que isso foi bom. Logo depois do Moptop, banda que abriu, o Keane já entra fazendo um climinha soturno quebra-gelo, música instrumental (a única, por sinal), e logo estoura de empolgação, pulos, elogios, e afagos para o público surpreendemente extasiado.




Palco estendido no meio da galera. Mais intimidade para os poucos e bons presentes na premiere da banda no Brasil.

_____Tocaram todas. Todos os sucessos. Todas aquelas que deveriam ter sido sucesso. E todas aquelas que são sucesso para os fãs. Conhece Keane? Não?! Tenho certeza que sim. E Somewhere Only We Know? E que tal Everybody Is Changing? Bedshaped? Is It Any Wonder? Hum... Crystal Ball?! Tá vendo. Todo mundo conhece. E não tem como não gostar. Melhor ainda ao vivo, pois é nessa hora que o sentimento florece.

_____E muitos, desacreditados ou meramente desintonizados com o clima do show, diziam que toda a falação e os elogios do vocalista eram pura falácia. Era fazer média. Era só pra ganhar a platéia. Sim, mas não neguemos a vibração. Deixe-se levar. Acredite no amor, na paixão, na ilusão do momento que deve ser vivido. Feche os olhos (ou não) e escute Bedshaped:


_____"I'm feeling great! I sense love and energy coming from you... It's so good!". Para uma primeira noite, Tom Chaplin estava mesmo era sendo sincero. E, como lembrança, a promessa de que eles vão voltar.
Abraços!!!

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19.4.07

Show: Numerologia do bem

_____Os Magic Numbers estão confirmados para shows no Brasil!!! Pra quem não conhece, o Magic Numbers faz um som tão fofo quanto o do Belle & Sebastian e é tão animadinho quanto o The Fratellis. Uma banda com astral do bem, cheia de amor pra dar, e com ótimas canções na bagagem, tendo lançado dois álbum, Magic Numbers e Those The Brokes.
_____As datas, praticamente já confirmadas, são 25/07 no Circo Voador, Rio de Janeiro, e 26/07 em São Paulo, com lugar a confirmar (deve ser em um lugar pequeno, confortável e agradável). 2007 promete, e cumpre. É show bom atrás de show melhor ainda!

Magic Numbers - This is a Song

Abraços!!!

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8.4.07

Música: Major Monsters Attack!

_____Saber que o mundo da música é controlado por apenas 6 grandes empresas é bem frustrante. É o mesmo lance das sete grandes fabricantes de tabaco, só que dessa vez trata-se de arte, de música, de prazer. Aquelas bandas que alguém pode jurar que nunca foi descoberta antes, com certeza, devem fazer parte desse emaranhado de selos e gravadoras, ou então tais bandas estariam fora do jogo, fora da indústria fonográfica, fora do music business. Bom, mas não há razão para surpreender-se. A lógica do capitalismo também se aplica para a música.

O mostro das majors.


_____Entretanto, eu continuo acreditando no Creative Commons, no Copyleft, no Mp3 e na revolução da músical digital. Um dia, a música há de sobreviver de modo absoluto sobre os preceitos da música independente, da música livre de comprometimento ideológico e mercadológico, da música pela música, da música alternativa para todas as camadas socias. Viva la revolución!

Mas até lá, a gente se vira como pode...

Abraços!!!

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